segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Vantagens de aplicar no Tesouro Direto

Vou na contramão do que disse nosso amigo Bons Dividendos nesse post e vou elencar algumas das vantagens de se investir no Tesouro Direto.

Primeira vantagem: você consegue travar um rendimento real de cerca de 4,5% a.a., através das NTNBs. Lembrando que isso é baseado nas taxas atuais, de 6% a.a., isso já chegou a bater mais de 7,7%.

Segunda vantagem: entendo que os 6% que conseguimos hoje, muitas empresas pagam em debêntures incentivadas, que não pagam IR, porém, o que está em jogo no Tesouro Direto é o risco soberano, o risco do nosso país. Se o nosso país não tiver dinheiro pra pagar os investidores, o que ele faz? Imprime mais dinheiro, simples.
Ah, mas se ele imprimir isso vai gerar inflação. Concordo, e é por isso que a NTNB é um título IPCA +. Se a inflação disparar, se ficar estável, se houver deflação...não importa, você sempre vai ter rendimento real.

Terceira vantagem: prazos extremamente dilatados. Num país sem a menor segurança jurídica, com uma poupança interna fraquíssima e juros muito altos, nenhuma empresa é capaz de fazer nenhuma emissão de dívida que seja superior a 10 anos. Hoje são negociadas NTNBs com 3x esse prazo, com vencimento em 2050.


Quarta vantagem: títulos com cupons semestrais. Nenhum dos investimentos mais seguros (CDB, LCI e LCA) oferece opção de pagamentos semestrais. Pra ter isso, você vai ter que arriscar mais, indo para uma debênture de alguma empresa, assumindo assim o risco dela e de seu setor.

Quinta vantagem: baixíssimos valores para entrar. Com 30 reais você já consegue comprar um título e isso é ótimo para incentivar o pequeno investidor a poupar também.

Sexta vantagem: especulação. No começo desse ano eu comprei uma NTNB que estava pagando IPCA + 7,8%. Em 8 meses ela se valorizou mais de 40%.
Da mesma forma, comprei uma LCA de 3 anos, me pagando 16,25% a.a. Se eu fizesse a marcação a mercado (ver quanto vale hoje) desse título, com certeza sua valorização também estaria muito próxima dos 40% da NTNB, porém, é proibido os bancos fazerem MtM de captações para as pessoas físicas, então vou ter que levar isso ao vencimento da mesma forma.


É claro, vale sempre lembrar que a grande maioria das vantagens se refere às NTNBs, os outros títulos disponíveis (LTN, LFT e NTNF) realmente possuem similares com muito mais vantagens e não vejo muito sentido em aplicar neles.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Produtos Bancários - CDB, CDI, LCI, LCA - o que são?

Aqui na blogosfera é muito difícil achar alguém que nunca ouviu falar nesses produtos. Com certeza todos já até investiram neles.

Mas vocês sabem o que são cada um deles?

Todos eles são instrumentos de captação dos bancos, ou seja, é através deles que os bancos obtém grana pra emprestar pra empresas ou pra outras pessoas.

Todos também têm proteção garantida do FGC (órgão criado pelos bancos pra dar mais segurança e credibilidade ao setor. Garante até R$250 mil do investidor se o banco for a falência).

O que os difere são os propósitos de aplicação.

LCI significa Letra de Crédito Imobiliário, então quem investe nela está investindo por tabela no...mercado imobiliário, claro. Então o banco capta sua grana e empresta pra alguém que está financiando o apartamento em 30 anos. Então a LCI tem a garantia do banco emissor, depois tem a garantia do FGC e por último ainda tem a garantia do empréstimo para o qual ele serviu de lastro.

LCA é a Letra de Crédito do Agronegócio, e possui exatamente o mesmo princípio da LCI.

Por que ambos são isentos de IR? Porque seguindo a política econômica instituída mais recentemente pelo BNDES na gestão do PT, temos que privilegiar alguns setores em detrimento de outros, então tanto o setor imobiliário (que já possui um instrumento de captação, que é a poupança) quanto o agronegócio são beneficiados com seus participantes podendo pegar empréstimos a taxas muito mais baixas do que empresas de setores não escolhidos pelo governo.

CDB e CDI o banco pode investir da forma que achar melhor, nenhum deles possui destinação específica.

E agora com certeza você está se perguntando, "mas calma aí, CDI não é aquilo que remunera o CDB, a LCI e a LCA? Como eu posso investir nisso então?" Aí que tá, você não pode!

CDI significa Certificado de Depósito Interfinanceiro (não, a última palavra não é Interbancário como você sempre imaginou). Como o próprio nome diz, só pode ser emitido por e para instituições financeiras. É como se fosse um CDB onde os bancos aplicam.

O CDI da forma que estamos acostumados a ver (atualmente em 13,66%) nada mais é do que a média das taxas cobradas entre as instituições financeiras nesse produto.

Por isso os bancos grandes querem captar o quanto puderem, pensa só, eles captam nas agências CDBs a 80% do CDI, pegam essa grana, juntam num bolo com mais 200 CDBs desses e aplicam em outro banco qualquer a 100% do CDI.


Melhor negócio do mundo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Trabalhar no Mercado Financeiro dá dinheiro?

Essa é a grande questão de todos que estão de fora. "Pô, como assim não tem dinheiro pra um Audi Conversível, você trabalha em banco", "Férias no Brasil? Mas você não trabalha em banco?".

Eu chegando do trabalho, segundo meus amigos e familiares.

A resposta curta é: sim, pode dar. Mas para a grande maioria das pessoas, sinto lhes dizer, mas não ganham nada além do que trabalhadores comuns de empresas de bens de consumo ou outros tipos de serviços que não o financeiro.

Pra começar, vamos dividir uma empresa do mercado financeiro (pode ser banco, corretora, financeira, mas os bancos são os mais conhecidos e não, não estou falando de trabalhar em agências, mas sim nos escritórios administrativos) em partes. Então teremos:

- Back Office;
- Middle Office;
- Outras áreas (RI, Marketing, Jurídico).
- Tesouraria;
- Comercial.

Aqui já podemos fazer algumas separações:

- Se você quer estabilidade, fique em uma das 3 primeiras áreas;
- Se você não gosta de dinheiro e quer um trabalho monótono, fique na primeira área;
- Se você quer ganhar algum dinheiro, porém não quer assumir muitos riscos nem se expor muito, as 2 seguintes são ótimas escolhas;
- Agora se você quer se expor, correr muitos riscos, atuar em áreas de pressão constante, porém, ganhar muito dinheiro nesse processo, fique nas 2 últimas áreas.

Em geral os bancos pagam sim melhor que as empresas, porém, o que nunca é dito é que também demora-se muito mais para subir de cargo. Então um analista de finanças recém contratado em uma empresa ganhará algo em torno de R$2.500, enquanto que em banco, isso sobe pra cerca de R$4.000 (e se você acha isso absurdo e duvida, procure o salário dos estagiários do Itaú e do Bradesco e depois volte aqui. Voltou? Agora eu te digo que o salário dos estagiários do Bank Of America, do JP Morgan e do Deutsche Bank são cerca de 20% mais altos que os que você viu).

Então, para atingir um nível de sênior em banco, leva-se em média 6 anos, enquanto que em empresas, no mesmo tempo, você já consegue alcançar alguma posição de gestão.

Sabe os filmes americanos que você viu, falando sobre bônus de 1 milhão de dólares e salários anuais de 6 dígitos para recém formados? Esqueça tudo isso, na prática, pouquíssimas pessoas têm acesso a essas coisas.

Tesouraria + Comercial devem representar cerca de 20% dos funcionários de um banco, mas ainda assim ficam com 35% a 40% da folha salarial.

Mas antes de você dar aquela revisada no currículo pra mandar pros bancos querendo trabalhar nessas 2 áreas, já te digo: é difícil, é um clube exclusivo e não basta você apenas ser bom, você deve conhecer as pessoas certas e estar na hora certa no lugar certo. Mas uma vez dentro, você tem emprego garantido em qualquer banco, porque são áreas estratégicas e que possuem um altíssimo nível de conhecimento e grande poder de networking.


E qualquer dia eu faço um post sobre histórias de gastos absurdos dessa galera que eu já ouvi falar...me cobrem!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Estou vivo!

         Fala galera!

         Depois de sumir por uns 4 meses, estou de volta.
        
         Muita coisa aconteceu nesse meio tempo, a principal delas foi sem dúvida eu ter trocado de emprego. No anterior, há muito as coisas não andavam bem, eu estava há bastante tempo na empresa e não me sentia valorizado. Após alguns meses procurando, finalmente achei uma vaga pra fazer exatamente o que eu fazia antes (e que gosto e entendo).
         Meu patrimônio cresceu consideravelmente e adivinhem só...voltei a investir em ações.
         Enquanto eu estava fora, continuei lendo os blogs de todos e continuei imerso no mundo da independência financeira e foi aí que comecei a ter insights de aumentar minha renda passiva.
         Tudo bem você ter 1 milhão de patrimônio, mas no final das contas o que conta mesmo é seu fluxo de caixa, sua renda passiva mensal. Até é possível fazer isso com renda fixa, comprando diversos títulos de diversos prazos e calculando rentabilidade líquida para saber quanto você pode gastar. Mas não é muito mais fácil pegar os dividendos e saber que você pode gastá-los?

         Bom, como falei agora estou focado em aumentar minhas fontes de renda, estou lendo bastante sobre isso e em breve espero ter outras novidades.
         No próximo post vou tentar falar um pouco sobre o mercado financeiro, afinal esse é o nome do blog e praticamente não falei nada sobre isso ainda kkkk.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Posição Mensal Jul/16 - R$523.407,00 (-1,65%)

    Fechamento um pouco atrasado, mas o importante é manter a disciplina.

                Conforme eu havia antecipado, 2 pontos nesse mês:

1) Reconhecimento de um rendimento negativo devido a rendimentos superestimados em uma LCI nos meses anteriores;
2) Encerramento de posição nos FIIs, sendo toda a grana gerada + aporte de dinheiro nova reinvestido em NTN-Bs 2035 (com taxa média de 5,95%) e 2050 (5,88%)                                                                 
               Vamos aos números:                                                                                                                                    
Rentabilidade Mensal: -1,65%
Rentabilidade Anual: +11,69%
Aporte: R$5.200

                Enfim, acabei não me ferrando tanto na rentabilidade...somado ao aporte praticamente mantive o mesmo nível do mês anterior.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Retorno das férias


         Fala galera!

         Ótimo mês pra mim, finalmente tirando minhas esperadas férias, por isso ando sumido.
         Fiz uma viagem pelo Brasil, de carro, que é meu jeito preferido de viajar. Ir de avião é mais rápido? Com certeza, mas nada tira a liberdade do carro, de estar andando em alguma estrada, ver uma paisagem legal e encostar pra tirar umas fotos. Sempre que posso, leia-se destinos até 1.500 km de onde moro, prefiro ir de carro.
         Um dia ainda farei algo grande, como viajar por uns 6 meses e ir até o Canadá, como esses estudantes fizeram, ou comprar um motorhome bem louco e ficar mais tempo ainda com o pé na estrada. Pra quem não sabe, motorhome é o da foto aí de baixo, que é uma van ou um ônibus acoplado a uma mini casa. Já trailer é aquele que é um reboque, ou seja, um carro "comum" (entre aspas, porque precisa ser algo com muita força, de preferência a diesel) que puxa a mini casa.


         Mas enfim, voltando à realidade, mês muito bom financeiramente também, ontem finalmente consegui me desfazer do meu último FII, aliás, este mês consegui vender todos os 6 restantes, o que me gerou bastante caixa, que está sendo prontamente alocado no Tesouro Direto, em NTNBs com cupons, que, conforme eu já havia dito, ao menos se aproximam do melhor aspecto dos FIIs, que é a geração de caixa.
         Percebi um erro bem grotesco no meu extrato da corretora, que está superestimando o rendimento de uma LCI. Em resumo, o que era pra estar com o valor de R$20 mil está como uns R$45 mil.
         Vou devolver esse erro no próximo fechamento,  então é certeza de vir uma bela porrada negativa na rentabilidade mensal.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Posição Mensal - Jun/16 - R$526.875,00 (+2,93%)

                Mais um mês muito bom para as minhas finanças. Recebi uma grana inesperada, então o aporte do mês foi bem turbinado, além disso a rentabilidade foi ótima também.

                Dados resumidos:

Rentabilidade Mensal: +2,93%
Rentabilidade Anual: +13,56%
Aporte: R$11.600

                Aloquei toda a grana nova em CDB de liquidez diária, pagando 100% do CDI. Como estamos em tempos de incerteza, estou optando por ficar mais líquido.

                Apesar de já ter um fluxo de operações bem legal (tenho vencimentos em todos os próximos 6 meses), nada como estar realmente líquido, com a grana disponível na hora. Além disso, também não estou achando produtos muito atrativos: ou vencimentos muito longos ou remuneração baixa.

                Seguem gráficos de divisão do patrimônio:







                A grande notícia do mês foi dada ontem! O desconto no XPCM foi menor do que o mercado havia precificado, foi de 17,5% contra 30% esperado, então hoje as cotas bombaram (chegaram a subir 19%, até fechar em 16%). Normalmente quando saem notícias dessa magnitude eu prefiro esperar as coisas se reestabelecerem...logo na abertura a cota disparou a 77,00, depois foi perdendo força ao longo do dia, então vou esperar o mercado digerir essa nova variável.

                Ao meu ver o fundo ficou muito mais atrativo agora, primeiro porque acabou a incerteza de a Petro ficar ou não no imóvel, a não ser que dê a louca neles e resolvam sair amanhã pagando a multa milionária, e segundo porque o rendimento agora deverá ficar em torno de R$0,75, ou praticamente 1% em relação ao preço de fechamento. Em Outubro teremos atualização pelo IGPM da parte atípica do aluguel, o que já deverá aumentar esse valor em 2 centavos.

                Dos fundos que eu uso como comparativo, nenhum está pagando 1% ao mês hoje, razão pela qual ainda acho que o mercado vai reajustar essa cota do XPCM até uns 80 reais.

               17,5% da meta!

terça-feira, 28 de junho de 2016

Como ficam as NTN-Bs em caso de hiperinflação?

         Esses dias eu estava conversando com um colega do trabalho sobre investimentos, quando ele me questionou se, no caso de uma hiperinflação, toda a teoria do "ganhar juros reais" não iria por água abaixo.

         A lógica dele foi a seguinte: se você tem uma NTN-B que paga IPCA + 3% e o IPCA for de 100% num ano, você tem um rendimento total de aproximadamente 103% bruto, descontando o IR seria algo próximo de 87%, então se compararmos com a inflação, você perdeu feio.

         Então resolvi colocar essas contas na prática pra analisar a parte matemática da coisa.

         Fiz algumas simulações e sim, é possível você perder da inflação mesmo tendo uma NTN-B que te promete juros reais.

         Mas você também pode ganhar da inflação com esse título. Tudo depende da taxa que você adquiriu.

         Pelos meus cálculos (premissas: 5 anos de prazo e IR de 15% e claro, utilizando juros compostos), chega-se a um ponto de equilíbrio quando a taxa da NTN-B é de 3,304%. Ou seja, se você conseguir essa taxa, você nunca vai perder da inflação e vai ter juros reais em qualquer cenário, para o prazo mínimo de 5 anos.

         Sim, em qualquer cenário, pois testei inflações desde 0% a.a. até milhões% a.a. e o que percebi foi que, numa inflação anual a partir de 300% as diferenças são mínimas, ou seja, 400% ou 10.000.000% gerarão juros reais praticamente iguais.

         Indo para a parte chata, a conta seria:

Rendimento líquido = ((1+3,304%)ˆ5 * (1+inflação anual)ˆ5 - 1) * 0,85

Juro real = (1+ Rendimento líquido) / (1+inflação anual)ˆ5

         Enfim, é apenas um exercício de pura teoria, fruto de uma conversa do dia a dia, visto que as chances de voltarmos a ter hiperinflação são bem pequenas.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

O êxodo dos brasileiros


            Hoje fiquei sabendo de mais um amigo que está indo tentar a vida fora do país. Aqui na blogosfera temos o exemplo do nosso colega Conhecimento Financeiro, que recentemente abriu que foi para Portugal.
            Esse é o 3º conhecido meu que vai pro exterior, e o que mais me preocupa é que os 3 possuem ensino superior, um deles estava desempregado e os outros 2 muito bem empregados, um deles inclusive, eu estimo que ganhava mais de R$10 mil/mês.
            Ou seja, mão de obra qualificada que está deixando nosso país. Pessoas que mantém as condições para negócios mais complexos prosperarem. E não são apenas empregados não, diversos empresários estão seguindo o mesmo caminho.
            Sugiro que vocês leiam essa reportagem, interessantíssima e de onde peguei o título do post, sobre esse tema:

http://istoe.com.br/433226_O+EXODO+DOS+BRASILEIROS/

            Segundo a reportagem, além da crise que vivemos, outro motivo dessa saída generalizada é a corrupção, que vemos, dia após dia, estar instaurada em todos os níveis da sociedade, prejudicando toda a estrutura do nosso país.
            Além desses 2 motivos, eu enumeraria ainda:
  •   Segurança - aqui nem preciso comentar muita coisa, 25 traficantes invadindo o hospital central de uma cidade que daqui 5 semanas estará recebendo as Olimpíadas basta.

  • Desemprego - atingindo especialmente os mais jovens, que se formam na faculdade sem perspectiva nenhuma de conseguir um trabalho. 

  •  Burocracia e Leis Arcaicas - aqui daria um post próprio. Podemos comentar sobre a exigência absurda (suspensa apenas ano passado!) de extintores  em automóveis, que gerava um gasto totalmente desnecessário ao consumidor final, indo na contramão de países como Estados Unidos, Japão e Alemanha, que não exigem extintor.
              
    Podemos falar também sobre a obrigatoriedade de airbags frontais e ABS nos carros comercializados aqui, desde 2014 em vigor. Enquanto isso, airbags frontais são obrigatórios nos Estados Unidos desde 1989! Mas aí também já é covardia, pois os carros comercializados hoje lá, são obrigados a vir com controle de tração e estabilidade e airbags laterais e de cortina. E mais, daqui alguns anos virão também com frenagem de emergência autônoma.

            Enfim, é claro que o país vai se recuperar e eventualmente voltaremos a crescer, mas quantos anos essa crise não vai nos custar? Só para recuperar a queda do PIB em 2015 e 2016 (projetado 4% de queda novamente), analistas estimam de 4 a 6 anos. Ou seja, 4 a 6 anos para voltarmos no nível de 2014!! E isso sem contar perdas como as comentadas no início do post, de trabalhadores e empresários que agregam ao país, que geram valor, pagam impostos, consomem.
            Esse é o preço que pagamos por sermos um país cuja economia se baseia quase 100% em commodities e por termos uma mentalidade imediatista, pois, durante o ciclo de alta dos preços, quando o Brasil deveria estar poupando e/ou investindo em setores que geram maior valor agregado, foi feito exatamente o contrário, o país passou a gastar como nunca - e muito mal, e estamos pagando a conta hoje.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Erros cometidos nos investimentos

Aproveitando o gancho do nosso amigo Beto Fiscal, vou comentar neste post sobre 2 grandes perdas que eu tive e as lições que tirei delas:

1) O caso OGX

Não, eu não fui um dos investidores que comprou os projetos de Eike Batista e acreditava em tudo que ele falava, pelo contrário, sempre tive algumas suspeitas de que suas empresas não fossem pra frente, mas é claro que não esperava uma decorada como a que aconteceu.
Eu observava tanto a OGX quanto a MMX e via que ambas variavam muito, num dia -5%, no outro +6%, depois -4%, enfim, altíssima volatilidade, e vi nisso uma chance de ganhar dinheiro.
No começo é claro que deu certo, é sempre assim, comecei com pouco mais de R$8 mil e logo já estava operando com R$11 mil, apenas dos ganhos que obtive. Lembro que uma das operações me gerou 700 reais de lucro em 3 dias. Foi aí que eu coloquei a grana na OGX, esperando valorizar 2 ou 3% pra já vender de novo, mas uns dias depois de comprá-la, a cotação desabou.
Claro que eu me desesperei, nessa época R$11 mil eram uns 6 salários meus, mas não vendi, mantive as ações acreditando que elas fossem se valorizar novamente. Então até aqui já temos 3 erros cruciais: 1) operar com lixo (OGX sempre foi lixo); 2) não usar o stop loss e 3) manter uma ação perdedora e passar a ser um torcedor.
O quarto erro foi o que mais me marcou. Depois de afundar, a ação começou a se valorizar novamente, lembro que meu PM era de 8,XX e a ação chegou a bater 7,XX, mas eu não quis vendê-la, me recusava a realizar um prejuízo e aceitar que eu havia errado. Aí, é claro, a ação desabou de novo, dessa vez pra sempre...esperei 1 mês, 2 meses e nada...1 ano e nada, então, quando eu vi que estava mantendo uma posição em ações de 200 reais e pagando custódia de uns 10 reais, finalmente vendi tudo e realizei meu preju a 15 CENTAVOS POR AÇÃO!
Então meu grande erro aqui foi a ganância, 4) eu já havia recuperado grande parte do prejuízo, sairia com uns R$1.000 a menos de uma operação absolutamente desastrosa, o que seria uma baita vitória, mas eu a mantive e acabei perdendo 11 mil reais (8 mil que eu havia investido inicialmente). Nunca nem tive a coragem de colocar custo de oportunidade em cima desse valor, pra ver minha perda real.

                2) O caso XPCM

                Quando eu descobri os FIIs, achei que havia descoberto uma mina de ouro, imagina só, um fundo corrigido pela inflação e que ainda me daria um fluxo de renda mensal, ou seja, eu estaria ganhando 1% ao mês real, ou 13% ao ano + inflação! Não acreditei e busquei mais informações, logo vi alguns anúncios dizendo que o inquilo era a Petrobrás e que a multa para ela sair era pesadíssima.
                Pronto, na hora já dei uma ordem de compra de uns 20 mil reais nela. Aqui então já vai o erro 5) se deixar levar pela emoção e enfiar todos os ovos em uma só cesta.
                O que eu não havia pesquisado era que existem as revisionais, que é a possibilidade de tanto o locatário quanto a locadora pedirem a revisão dos valores 3 anos após a celebração do acordo de aluguel. Acontece que com a queda no preço do petróleo e toda a crise da Petrobrás, ela começou um forte programa de corte de custos, que implicou em um esvaziamento da cidade de Macaé e até mesmo na empresa sair de um dos prédios do qual era inquilina (o imóvel do XTED, que ainda está vago).
                Ou seja, hoje, o valor do aluguel celebrado em 2013, está totalmente superestimado, então por isso a queda acentuada na cotação desse papel: o mercado já está precificando uma revisional negativa na ordem de 30% do valor vigente.
                Então em relação ao que paguei, estou com uma perda de cerca de 30%, mas se eu somar os rendimentos recebidos no período (totalmente errado do ponto de vista financeiro, pois os rendimentos não valem a mesma coisa do que o que eu paguei no papel lá atrás), aí esse preju fica praticamente zerado.
                Enfim, em relação ao XPCM, ainda o tenho em carteira, pois ao meu ver, os rendimentos estão muito atrativos (quase 1,5% ao mês) e estou vislumbrando a possibilidade de a revisional ser menos danosa ao investidor do que se está imaginando, se o mercado precificou 30% e a revisional for de 20%, a cotação vai subir muito e sim, sei que o contrário também pode acontecer, porém estou apostando na necessidade de a Petrobrás ficar em Macaé (1300 funcionários no prédio feito especialmente para ela), até por causa da recente desocupação do XTED, conforme eu comentei acima.
                Se tudo der errado, ainda confio na multa que a Petrobrás teria que pagar, nesse caso, 3 meses de aluguel mais os valores ainda devidos de customização, o que daria uns R$14 por cota.


                Esses foram meus principais erros dentro do mundo dos investimentos. Na época me martirizei bastante, achei que o mundo fosse acabar e fiquei bem mal, porém, com o tempo percebe-se que tudo é experiência e aprendizado e com certeza eu levarei esses dois casos como exemplo pro resto da vida, não apenas no campo financeiro, mas no pessoal e profissional também.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

IPCA x IGPM

    Nesse post vou comentar sobre as diferenças entre IPCA e IGPM. Meu objetivo é mostrar qual dos 2 é melhor para você atrelar sua aplicação.



                Primeiramente, já existe um certo preconceito e uma máxima muito falada de que o IPCA, por ser um índice calculado pelo IBGE e o número oficial da inflação no Brasil, é objeto de maquiagem e alteração, visando esconder a inflação real, especialmente em momentos em que ela sobe bastante. Já o IGPM na prática deveria ser mais confiável e isento, já que é calculado por uma universidade conceituada, que é a FGV, e possui um longo histórico (é calculado desde 1989). Por essa confiança do mercado o IGPM é popularmente conhecido como a “inflação do aluguel”. Vamos ver se isso pode ser verdade.
                IPCA significa Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo e é calculado pelo IBGE desde 1979. Busca medir a inflação das pessoas com renda entre 1 e 40 salários mínimos e é calculado apenas em algumas regiões metropolitanas. É composto da seguinte forma:

Item
Peso
Alimentação
25,21%
Transportes e Comunicação
18,77%
Despesas Pessoais
15,68%
Vestuário
12,49%
Habitação
10,91%
Saúde e Cuidados Pessoais
8,85%
Artigos de Residência
8,09%

                Já o IGPM significa Índice Geral de Preços do Mercado e busca replicar a inflação para toda a população, sem níveis de renda. É composto por 3 índices, sendo essa a divisão:

Item
Peso
IPA
60%
IPC
30%
INCC
10%

                Apenas para conhecimento, segundo a FGV, o IPA, que possui o maior peso, “registra variações de preços de produtos agropecuários e industriais nas transações interempresariais, isto é, nos estágios de comercialização anteriores ao consumo final.”
                O que eu fiz foi compilar todos os dados de ambos os índices desde 1995 (a partir desse ano pois inflações de 10.000% não iriam ajudar essa análise em nada) para analisar e tirarmos algumas conclusões. Primeiramente o gráfico:




                Olhando o gráfico já podemos tirar 2 conclusões, 1) o IGPM sofre muito mais volatilidade, enquanto o IPCA é mais constante; e 2) ambos sempre seguem a mesma tendência.
                Dado isso, vou expor mais alguns dados obtidos com essa série histórica:

- Dos 22 anos que estamos analisando, o IPCA foi maior em 9 anos, enquanto o IGPM “ganhou” em 13 anos;
- A maior variação do IGPM foi de 25,3%, em 2002, e a menor -1,71%, em 2009;
- A maior variação do IPCA foi de 22,41%, em 1995, e a menor 1,65%, em 1998;
- O IGPM acumulado de 1995 até 2016 é de 515%;
- O IPCA acumulado entre os mesmos anos é de 370%.

Conclusão

                Essa dúvida me surgiu quando vi o mesmo banco oferecendo LCI a IGPM+6% e IPCA+5,9%, não entendi por que o título atrelado ao IPCA estava pagando um prêmio a menos, então decidi investigar se ele tende a render mais que o IGPM, mas a resposta é não: um título atrelado ao IGPM tende a render mais ao longo do tempo, pois, apesar de sofrer uma volatilidade bem maior, numa amostra de 22 anos rendeu 39% mais que algo atrelado ao IPCA.
                Importante observar também que se há alguma maquiagem no cálculo do IPCA, ela é bem sutil, pois ao longo dos anos ambos os índices se movem de forma semelhante, apesar da maior intensidade do IGPM. Por mais incrível que possa parecer, os números que mais se descolam não são durante o governo do PT.
                Ou seja, apenas aceite um título atrelado ao IPCA se este oferecer um prêmio de 1,5% ao ano a mais que o mesmo título atrelado ao IGPM, pois esta é a diferença entre as suas médias históricas.


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Posição Mensal - Mai/16 - R$500.613,00 (+2,84%)

                Post histórico pra mim, na minha primeira atualização no blog já posso divulgar o resultado de anos e anos de paciência e dedicação, que é a chegada à marca de 500k.
                Dados resumidos:

Rentabilidade Mensal: +2,84%
Rentabilidade Anual: +10,33%
Aporte: R$6.300

                Grande rentabilidade mensal, na verdade a segunda melhor entre os 26 meses desde que iniciei meu acompanhamento financeiro mais detalhado, o que já me leva a uma rentabilidade anual de 10,33%, muito boa, considerando que estou fora da Bolsa, mas tenho consciência que esse resultado só está vindo por conta da queda dos juros futuros e que o normal é minha rentabilidade ficar em cerca de 1% ao mês.
                Aporte um pouco mais alto que minha média, fruto de um caminhão de horas extras no mês passado. Importante mencionar aqui que não conto os proventos recebidos de FIIs como rentabilidade, na minha conta entram como dinheiro novo. Para juros de títulos públicos, não conto como aporte, pois os valores são abatidos do meu saldo a receber.
                O dinheiro novo do mês foi, em sua grande maioria, voltado para a compra de NTNB com juros semestrais. Como estou desinvestindo nos FIIs, porém quero manter um fluxo de renda, considerei o Tesouro Direto como o melhor substituto.
                Nesse primeiro gráfico podemos observar como estou bem concentrado em Renda Fixa, aproveitando os juros atuais:


                Já nesse segundo, é legal notar que estou exposto a diferentes indexadores, o que me confere mais proteção em todos os cenários. Juros subindo? Sem problemas, mais de 30% da carteira está indexada ao CDI. Inflação bombando? Quase 32% da carteira está ligada ou a IPCA ou a IGPM. Juros caindo? Aí quem segura a onda são os prefixados:



                Com isso chego a 14,3% da minha meta estipulada de patrimônio!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

FIIs x Taxa de Juros Futura

Como o título do post já diz, tentei fazer uma comparação entre juros futuros e o IFIX. Como já ia fazer isso, aproveitei também pra pegar um fundo imobiliário pra comparar junto. Eu queria algum fundo que refletisse exatamente o movimento das taxas de juros, ou seja, algum que não tivesse nenhum impacto relevante em termos de rendimento, vacâncias, cagadas de gestor, entre outros, então é claro que teria que ser algo do segmento de agências bancárias.
O AGCX não poderia se enquadrar pois ainda é um fundo em desenvolvimento, então peguei o BBPO. Não escolhi o SAAG pois o volume de negociações do BBPO é bem maior, ou seja, já teria impactos de alterações na taxa de juros mais rapidamente.
Inicialmente eu queria comparar esses dados contra os valores de DI Futuros, porém, como nosso país tem uma aversão incrível a guardar histórico de dados, não consegui achar em lugar nenhum, então acabei pegando as 2 NTNFs de vencimento mais longos que haviam em 2013 (base inicial do levantamento) para substituí-los.
Depois de fazer uma limpeza na base, cheguei nos valores. O problema era que as NTNFs estavam com suas taxas em porcentagem, o IFIX em pontos e o BBPO em R$. O que eu fiz então, foi, em 10/01/2013, os primeiros dados que eu tenho, considerar base 1 para todos (100%), e depois atualizar esse 1 pela variação diária de cada um dos ativos.
Não considerei os rendimentos de BBPO, o que certamente impactaria positivamente o resultado final.
O resultado é o gráfico abaixo:



O que podemos enxergar é uma claríssima correlação negativa dos juros futuros com os fundos imobiliários, porém, esta correlação se sustenta até certo ponto. Entre o fim do ano passado e o começo deste ano, quando as taxas de juros futuros bombaram, nem o IFIX e nem o BBPO acompanharam, eles se mantiveram no mesmo patamar. Apenas para conhecimento, aparentemente, quando as taxas bateram 13% ao ano, a correlação deixou de ser verdadeira, o que significa que os fundos imobiliários parecem ter um teto na relação rendimento/cotação na faixa de 1% ao mês, sendo que um fundo sem problema nenhum nunca deveria render mais que isso.
Interessante notar também o aumento na cotação do BBPO nos últimos meses. No começo de 2014 os juros bateram 13% ao ano, o mesmo patamar que está hoje, porém, a cotação de BBPO de hoje está muito mais alta (R$108) que a cotação de 2014 (R$94), por que?
Porque de janeiro de 2014 até hoje, os contratos do fundo sofreram 2 atualizações pelo IPCA e temos outra vindo agora em setembro e sempre que os rendimentos aumentam e a cotação se mantém, o DY sobe, portanto, para ajustar essa distorção, a cotação sobe junto.

Por isso os FIIs possuem um potencial bem legal, como a tendência dos juros é de queda acentuada, a cotação tende a subir (correlação negativa) e como a tendência dos alugueis é de aumento (reajustes pela inflação, valorização do imóvel), a tendência da cotação é de aumento novamente. Porém isso é no mundo perfeito, nos Estados Unidos com os REITs, aqui no Brasil, ainda temos que conviver com canetadas do governo, péssimos serviços de administradores e incertezas sobre os rumos econômicos. Por isso os FIIs ainda possuem um alto prêmio sobre um dos instrumentos mais próximos deles, que são as NTNBs (aliás, boa ideia para um post futuro, calcular esse prêmio médio).

domingo, 22 de maio de 2016

Onde aplicar a reserva de emergência?


         Quando você está começando a sua vida financeira, o primeiro passo é começar a gastar menos do que ganha. Feito isso, o segundo passo é procurar instrumentos financeiros que remunerem essa sobra, sendo que do Brasil o mais conhecido é a poupança, que paga 0,5% mais TR (acumulado 12 meses 2%), ou seja, uns 8% ao ano líquido de IR.
         Pois bem, se você conseguir investir em um CDB de liquidez diária, que remunere 100% do CDI, você conseguirá um rendimento bruto anual de 14,13%, com o CDI atual, o que, em 1 ano, dá 11,6% líquido de IR, ou 45% mais que a poupança e com a mesma segurança (ambos contam com a garantia do FGC).
         "Poxa Trabalhador, muito legal as contas, mas no meu banco, pra ter acesso a um CDB 100% de liquidez diária eu preciso aplicar 1 milhão de reais". Exato, saia do seu banco. Os bancos grandes não possuem opções interessantes para o pequeno investidor, por isso, você possui 2 opções; 1) LFT e 2) utilize os bancos médios. Posso indicar 2 pra vocês: Sofisa e Ficsa e não, não trabalho em nenhum dos 2.
         Antes de já ir correndo abrir sua conta em um desses bancos, termine de ler! Apesar de ambos os bancos contarem com a garantia do FGC da mesma forma que o Itaú, Bradesco e Santander contam, obviamente que a chance de eles quebrarem é muito maior, e aí é interessante você saber que você não recebe sua grana imediatamente após o banco sofrer liquidação judicial, o FGC leva um tempo até organizar a lista de todos os beneficiários, o que leva, em média, 2 meses, mas que em alguns casos pode passar de 4 (confira no site do FGC: www.fgc.org.br/upload/garantia_ip_p.pdf).
         Em relação a LFT, ela remunera 100% da SELIC, que é sempre ligeiramente superior ao CDI, porém, possui cobrança de taxa de custódia obrigatória de 0,3% ao ano, o que praticamente empata com o CDI (nesse caso, atenção, se você pagar taxa de administração no Tesouro Direto, o CDB 100% vai render mais, uma corretora grande que não cobra a taxa de administração é a Easynvest). Importante ressaltar que venda de LFT possui liquidação em D+1, o que significa que você só receberá o dinheiro 1 dia útil depois de vender o título. 
         Uma outra vantagem de ambos os casos sobre a poupança é que eles possuem rentabilidade diária. Na poupança, se você deixar seu dinheiro por 29 dias e retirá-lo, você não recebe nada, pois os rendimentos caem apenas na data de aniversário da aplicação. Em CDBs e LFT, você é remunerado por cada um desses 29 dias.
         Então vou dizer o que eu faço: tenho uma parte da reserva de emergência num banco médio, uma parte em LFT e deixo uma quantia bem pequena na poupança, dessa forma meu risco fica muito mais diluído, mas não abro mão da rentabilidade.

Abraços!

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Minha carteira e impressões sobre os FIIs


            Atualmente minha carteira está dividida da seguinte forma:



-  37% no Tesouro Direto, em sua grande maioria títulos atrelados ao IPCA;
- 40% em títulos de Renda Fixa, em sua maioria atrelados ao CDI;
- 14% em FIIs (já chegou a ser 25% da minha carteira);
- 9% em disponibilidades imediatas (caixa e aplicações de liquidez diária)

         Pretendo abrir cada um desses itens mais pra frente, por enquanto vamos falar apenas do FIIs:
         Pra quem não se lembra, recentemente houve uma MP, de número 694, que vinha com um pacotão de taxações. Uma delas pretendia retirar a isenção de IR sobre as distribuições mensais feitas pelos FIIs. O autor do projeto foi o Sr. Investigado na Lava Jato, Romero Jucá, na época senador e atual...Ministro do Planejamento! Ou seja, pra mim a isenção está com os dias contados.
         Os leitores mais atentos dirão: "ah TMF, mas a taxação impactaria também LCAs e LCIs, nos quais você investe". Concordo, porém existe um ponto importante: como os títulos de renda fixa possuem um início e um fim, os já existentes não devem ser impactados por essa retirada de isenção. Então eu acredito que LCIs, LCAs e Debêntures Incentivadas continuariam a não pagar IR.
Mas os FIIs não possuem uma data de vencimento, eles são fundos criados sem prazo determinado, portanto tenho certeza que os já existentes entrariam na dança do Imposto de Renda.
         Eu acho os FIIs um excelente instrumento de investimento e pretendo sim voltar a investir neles, mas quando as regras se tornarem mais claras e transparentes, não vou investir em nenhum lugar onde eu não saiba exatamente os riscos que estou correndo e, quando entrei nesse mercado, não computei o risco de taxação, então acabei aceitando pagar preços que não representam uma relação risco x retorno confortável para mim.
         O que estou fazendo é aproveitar a recente escalada do IFIX, baseada na queda dos juros futuros, para descarregar minhas posições com algum lucro.
         Os FIIs que ainda me restam são:

- XPCM
- HGRE
- SDIL
- AGCX
- FIIP
- EDGA
- CNES

         Desses, talvez eu mantenha XPCM (meu PM está muito alto e coloquei muita grana nele) e AGCX (PM baixo e na minha opinião o melhor fundo de agências disponível), ainda estou pensando nessa hipótese.
         Mais pra frente também pretendo comentar sobre meus erros investindo, como por exemplo esse do XPCM que falei acima.

Abraços!