quinta-feira, 6 de abril de 2017

Poupança - a única solução para o Brasil

Recomendo muito que vocês leiam esse excelente artigo.

Em resumo, é a velha teoria básica de economia: Investimentos = poupança interna + investimento estrangeiro.

Nossa crise atual deve-se, em grande parte, à estupidez de um governo populista que, ao encontrar o país em seu melhor momento histórico, resolveu incentivar o consumo ao invés de melhorar a infraestrutura do país (entenda como um conceito amplo, que engloba qualificação da mão de obra, logística, saneamento, energia).

A questão é simples: nós tínhamos um determinado potencial de crescimento, dada as nossas condições de investimento, produtividade, etc. O que o governo fez foi antecipar todo esse potencial para o agora. É por essa razão que víamos taxas de crescimento chinesas por aqui.

Acontece que, como eu disse, antecipamos nosso potencial, ou seja, estávamos operando no limite, até que tudo começou a se desmantelar, especialmente por causa das inúmeras denúncias de corrupção (quebra de confiança do mercado), mas também porque a população já estava altamente endividada, o que fez com que os bancos parassem de emprestar dinheiro.

E tudo isso vem da falta de poupança interna brasileira.

Como um país cresce sustentavelmente? Aumentando sua produtividade.

Como se aumenta a produtividade? Através de investimentos, fácil acesso ao capital e capital barato.

Como se investe? Através da poupança interna.

Como exemplo, vamos supor 2 países com exatamente o mesmo PIB. O país A tem uma taxa de poupança interna de 50%, enquanto o B tem 10%. Por ter muito menos capital disponível, vários projetos de pessoas dentro do país B são rejeitados, ou seja, existe uma restrição de capital. E para aqueles projetos que conseguem passar da fase de encontrar capital, a segunda parte é ainda mais difícil, pois deve-se arcar com os juros absurdos dos empréstimos.

Enquanto isso, no país A, as pessoas poupam muito, por consequência, os bancos pagam menos pelo dinheiro delas, mas também emprestam muito mais facilmente e a juros mais justos. E não são apenas através de bancos que são feitos os investimentos...quando uma pessoa compra uma debênture, ela está investindo numa empresa. Quando uma pessoa desiste de deixar seu dinheiro aplicado, pois está rendendo apenas 4% ao ano e vai abrir uma lojinha que vai lhe render 10% ao ano, ela está investindo e além disso, está contribuindo com a economia do país, empregando pessoas, aumentando a oferta do produto ou serviço oferecido, o que implica em queda de preços para os consumidores.

Sabendo disso, vejam essa reportagem:

http://oglobo.globo.com/economia/taxas-de-investimento-poupanca-atingem-menor-nivel-em-seis-anos-21023756


"Em 2016, a taxa de investimento recuou para 16,4%, após ter ficado em 18,1% no ano anterior. Já a taxa de poupança passou de 14,4% para 13,9%."


Como efeito de comparação, a taxa de poupança interna da China é de 50%.

E vejam esse gráfico, que ilustra perfeitamente nossa herança maldita:


Ou seja, ainda estamos ferrados por um bom tempo...nossa taxa de investimento hoje voltou a níveis de 2003, em relação ao PIB. Por isso, se não houver nenhum fator fora da curva, como um boom nos preços das commodities de novo, acredito que só devemos voltar a crescer consistentemente e retornar níveis de desenvolvimento de 2012, lá pra 2021.

De qualquer forma, isso mostra como é importante poupar. Quando fazemos isso, não estamos apenas nos ajudando a chegar mais próximos da independência financeira, estamos também ajudando o país a se desenvolver, estamos ajudando o dono daquela mercearia de bairro que quer expandir seus negócios, estamos ajudando aquele cara que teve uma ótima ideia, mas tem zero grana, enfim, estamos dando mais oportunidade às pessoas.

3 comentários:

  1. Anos atrás li os livros e artigos do Rodrigo Constantino que foi tão atacado por falar sobre isso. Agora está ai a merda.

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  2. Boa noite!

    Parabéns pela excelente análise.

    Te citei na minha última postagem, se gostar do meu blog pode me adicionar à sua lista?

    Abraços

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  3. TMF,

    Infelizmente, temos uma cultura de poupar pouco, mas ao mesmo tempo queremos ser um país desenvolvido.
    Juntando a isso, temos uma cultura de paternalismo estatal do governo prover quase tudo em nossas vidas. Ou seja, popamos pouco, investimos pouco, temos excesso de empregos improdutivos, dai exigimos do governo suprir nossas deficiências, e assim continuamos atrasados.

    O país já melhorou muito, mas ainda estamos engatinhando.

    Apesar disso... ainda sou um otimista.

    Abraço!

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